Ethereum ou Stellar: Quem Vence a Tokenização de Ativos no Brasil? [PT-BR]

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Há cerca de três anos, fui chamado para estruturar a tokenização de uma carteira de recebíveis imobiliários para uma securitizadora em São Paulo. A primeira pergunta do CFO foi direta: "Em qual blockchain vamos colocar isso?" Naquele momento, percebi que a escolha da infraestrutura não é um detalhe técnico — é uma decisão de negócio que define custo, escalabilidade, segurança jurídica e, principalmente, viabilidade econômica do projeto. Desde então, já implementei dezenas de soluções em ambas as redes, e quero compartilhar com você o que aprendi na prática.

O custo transacional muda tudo no Brasil

Quando falamos de tokenização de ativos reais (RWA — Real World Assets), o volume de transações importa. Imagine tokenizar um fundo de recebíveis com 50 mil cotistas que recebem distribuições mensais. Na Ethereum mainnet, cada transferência pode custar entre US$ 2 e US$ 30 dependendo do congestionamento da rede e do preço do gas. Multiplique isso por 50 mil e você terá um pesadelo financeiro recorrente.

A Stellar resolve isso de forma elegante: o custo médio por transação gira em torno de 0,00001 XLM — frações de centavo de dólar. Em um projeto que conduzi para distribuição de dividendos tokenizados, a economia anual em taxas chegou a mais de R$ 400 mil quando comparamos o orçamento estimado em Ethereum L1.

É verdade que soluções de Layer 2 da Ethereum (Arbitrum, Optimism, Base) reduziram drasticamente esses custos. Porém, elas adicionam complexidade arquitetural, dependência de bridges e novos vetores de risco. Para o mercado brasileiro, onde muitas emissões ainda lidam com tickets menores e alto número de investidores pulverizados, a Stellar oferece previsibilidade de custo nativa — algo que faz diferença real na precificação de uma oferta.

Ecossistema, liquidez e a realidade regulatória brasileira

Aqui é onde precisamos ser honestos. A Ethereum domina o ecossistema DeFi global, com a maior liquidez, o maior número de desenvolvedores e o padrão ERC-3643 (T-REX) tornando-se referência para tokens de valores mobiliários com compliance embutido. Se o seu projeto exige composabilidade — interagir com protocolos de empréstimo, AMMs e oráculos sofisticados —, a Ethereum ainda é imbatível.

Por outro lado, a Stellar foi desenhada desde o início para ativos financeiros e pagamentos. Ela possui um DEX nativo no protocolo, controle de emissão de ativos com autorização de carteiras (AUTHORIZATION_REQUIRED) e flags de congelamento — recursos críticos para emissores que precisam atender exigências da CVM, especialmente no contexto da Resolução CVM 88 (crowdfunding) e do sandbox regulatório.

No Brasil, vejo um movimento concreto: a parceria entre a Stellar Development Foundation e iniciativas ligadas ao Drex (o Real Digital do Banco Central) coloca a rede em posição estratégica. Já a Ethereum se beneficia da maturidade de custódia institucional. Como costumo dizer em consultorias, André Dias Moreira Prol não escolhe blockchain por modismo, mas por aderência ao caso de uso e ao arcabouço regulatório vigente.

Smart contracts: Solidity vs Soroban

Esse é um ponto que evoluiu radicalmente. Por anos, a Stellar foi criticada por não ter smart contracts robustos. Isso mudou com o Soroban, a plataforma de contratos inteligentes escritos em Rust, lançada em produção na mainnet em 2024.

Tendo desenvolvido em ambos os ambientes, posso afirmar que a diferença filosófica é marcante:

  • Solidity (Ethereum): linguagem madura, comunidade gigantesca, mas com histórico extenso de vulnerabilidades (reentrância, overflow, problemas de delegatecall). A auditoria é cara e essencial.
  • Soroban (Stellar): Rust traz segurança de memória nativa, e a arquitetura de armazenamento com estado expirável (state archival) evita o inchaço de estado que pune redes mais antigas. Para quem trabalha com tokenização, o modelo de recursos do Soroban é mais previsível.

Em um projeto recente de tokenização de cotas de um fundo agrícola no interior de Goiás, optei pelo Soroban justamente pela combinação de baixo custo operacional com a robustez do Rust para a lógica de distribuição de safra. O resultado foi um contrato auditável, eficiente e com taxas que não inviabilizavam pequenos produtores como investidores.

Quando escolher cada uma

Vou ser pragmático, porque é assim que penso problemas de engenharia:

Escolha Ethereum se: seu projeto depende de integração profunda com DeFi global, exige máxima liquidez secundária internacional, ou se beneficia do padrão ERC-3643 e de custódia institucional já consolidada.

Escolha Stellar se: você precisa de baixíssimo custo transacional, alto volume de distribuições, emissão de stablecoins ou ativos com pagamentos recorrentes, e aderência ao ecossistema de pagamentos e ao futuro Drex no Brasil.

Não existe vencedor absoluto. Existe a ferramenta certa para o problema certo.

Conclusão

Depois de mais de duas décad


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Source: dev.to

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